Viva,
Vou tentar ilustrar qual das teorias descreve correctamente quando e como é que Vénus e Marte (ou Júpiter) são vistos a partir da Terra.
De acordo com as minhas observações com binóculos, Marte é demasiado pequeno para observar, por isso o que descrever em seguida relativamente a Marte foi comprovado por mim através de Júpiter, que está particularmente próximo da Terra neste momento e tem já um tamanho considerável visto com os meus binóculos.
Para se entender qual das duas teorias está correcta, a forma mais simples é pegar nuns binóculos e observar Vénus e Júpiter e analisar as suas fases.
As seguintes observações de astrónomos profissionais e amadores vão ao encontro daquilo que observei:
"Vénus tem uma órbita mais próxima do Sol do que a Terra, por isso para explicar como e quando observar Vénus é simples: estará sempre perto do Sol. Vénus orbita o Sol mais rápido do que a Terra, por isso aparecerá no céu a Oeste ao fim da tarde e nascerá antes do Sol a Este. Como Vénus está dentro da órbita da Terra, a sua posição nunca será longe do Sol.
O movimento apartente dos corpos celestes no céu devido à rotação da Terra é de 15º por hora. Vénus não é visível sob a luz do Sol até estar a 5º do Sol, por isso não pode ser visto até 20 minutos depois do pôr do Sol ou 20 minutos antes do nascer do Sol."
"Vénus está situado numa órbita interior à da Terra, e portanto apresenta fases, tal como a Lua. Também é possível ver que o seu tamanho aparente altera-se devido à sua distância até nós."
Aqui fica uma animação tirada de uma sequência fotográfica das fases de Vénus:

Esta animação não só ilustra as fases como também o seu tamanho aparente ao longo de meses de observação.
"Vénus apresenta fases. Tal como a Lua, Vénus pode aparecer como um disco cheio ou um crescente. É frequentemente o objecto mais brilhante no céu nos instantes imediatamente antes do nascer do Sol e após o pôr do Sol. No entanto, são necessários binóculos ou um pequeno telescópio para vislumbrar a sua fase."
"Os planetas com órbita interior à da Terra têm um ciclo de fases de 0% a 100%, ao passo que os planetas com órbitas exteriores oscilam ligeiramente entre os 80% e 100% (Marte) e 99% a 100% (Júpiter). Quanto mais afastado do Sol o planeta estiver menor é o efeito."
Ora isto vai ao encontro daquilo que já observei com binóculos. Sempre vi Vénus na forma de um crescente, em maior ou menor grau. Não é possível ver Vénus com a forma de um disco cheio porque essa situação só acontece se Vénus estiver em oposição à Terra, isto é, do lado de lá do Sol. O mesmo acontece com Mercúrio, no entanto os meus binóculos não chegam a tanto e de qualquer forma este está sempre demasiado perto do Sol e é demasiado pequeno, sendo ofuscado.
Quanto a Marte, como também é demasiado pequeno nunca consegui detectar as suas fases, ao passo que Júpiter sempre o vi como um disco cheio. Só com um potente telescópio seria possível detectar a tal oscilação entre 99% e 100%.
Seguem as ilustrações.
Heliocentrismo
Estando a Terra na posição T e imaginando Vénus a percorrer as posições V1 a V4 é fácil de ver que visto da Terra Vénus seria visto com fases. No entanto, só é possível ver as suas fases crescente e minguante, pois em V2 Vénus está do lado de lá do Sol.
Quanto a Marte, tendo uma órbita exterior à da Terra é visto com uma oscilação de fases entre os 80% e os 100%. Pessoalmente nunca detectei essa oscilação com os meus binóculos devido ao tamanho reduzido de Marte.
Esta ilustração representa as observações descritas acima por todos os astrónomos (e também por mim) de forma harmoniosa e fácil de perceber. Esta é a realidade.
Geocentrismo
Estando a Terra numa posição central e o Sol na sua órbita mais próxima, à excepção da Lua que já todos sabemos que apresenta fases, temos Vénus a percorrer a primeira órbita exterior neste esquema. Quando Vénus está na posição V1 não pode ser visto da Terra por estar do lado de lá do Sol. Na posição V2 Vénus seria visto como um disco quase cheio, tal como em V4 e V5. Em V3 Vénus seria visível da Terra durante toda a noite, o que como qualquer observador sabe é uma situação
impossível de acontecer.
Quanto a Marte, nas posições indicadas M1 a M4 seria visto da Terra com ligeiras diferenças de fase, como acontece na realidade.
Aqui o problema que se coloca é em relação a Vénus. Sabemos que Vénus só pode ser visto nos instantes próximos de quando o Sol nasce e se põe, desaparecendo depois a Oeste e também desaparecendo a Leste devido ao intenso brilho do Sol durante o dia terrestre.
Espero que esta explicação seja conclusiva.
Cumprimentos