Caro xerife
Não sendo razão para esperar-se um ano de más observações astronómicas do céu nocturno que nestes tempos de poluições várias nos impedem de, cientificamente, concluir, mas para pensar nas muitas que ao longo desta minha ainda curta vida já fiz, posso dizer-lhe, seguramente, que a Terra não está parada, felizmente, nem de noite nem de dia e, consequentemente, nem poderá estar realmente parada durante o ano.
O que posso garantir é que ela não pode estar, salvo o devido respeito, a rodar à volta do Sol e que, ao contrário, é o Sol que roda à volta da Terra e da Lua neste espaço dentro da Esfera celeste, considerando, sempre, que no final, fique uma interrogação, enquanto se puderem levantar dúvidas.
A ideia fixa e imposta de que o próprio Copérnico nem precisou, de que o Sol atrai todos os astros e só por isso a gravidade os obriga a executar as suas órbitas, na ausência de outra razão forçosa que a substitua, constitui o impedimento.
Assim, as constelações, que poderemos ver irão continuar, noite após noite, a deslocar-se, aparentemente, à nossa volta devido à ilusão do real movimento de rotação da Terra; e, simultaneamente, em sentido contrário, em cada dia, durante cada ano, devido ao real movimento anual do Sol à volta da Terra e da Lua.
Estando estes três astros dentro da Esfera celeste é sabido que, as constelações, vistas da Terra, terão de ir aparecendo, sucessivamente, sempre do lado oposto ao do Sol, quer seja o Sol a rodar à volta da Terra, quer seja a Terra a rodar à volta do Sol, pois aquele que nos impede de as ver será sempre o Sol, que se interpõe e devido à luminosidade da atmosfera.
Como se costuma dizer, não é por aí que o gatinho vai às filhós
Nunca conheci outra teoria igual à minha, que, parece, ser considerada como uma outra teoria geocentrica.
Estando, ainda assente, fixamente uma outra teoria a que ainda chamam heliocentrismo, salvo o devido respeito, por isso mesmo, admitindo eu que possa estar errado, entendo que cumprirá aos adeptos dessa que, em primeiro lugar, expliquem os fenómenos astronómicos de modo que facilmente se possa concluir que assim é, ou possa ser, como dizem.
Uma vez que se vem argumentando que os fenómenos astronómicos se podem explicar através de qualquer das teorias, no que respeita às constelações, como já disse, isso tanto poderia acontecer estando o Sol de um lado ou a Terra desse mesmo lado e o Sol do outro, mas algo terá de ficar ao contrário. E, aquilo que se fará por esquecer, é que impedirá que seja de qualquer modo válida a lei do tanto faz.
Quando se chegar ao ponto de se ter de reconhecer que não se poderá explicar isto ou aquilo e que explicar outro e outro terá de ser mais complicado, até deixa de se poder afirmar que seja essa a teoria mais simples e exacta.
Na actualidade, para além da teoria do DAVINO & C.ª não conheço outra teoria do geocentrismo, visto que esta até nem afirma que a Terra está no centro de qualquer movimento, tanto quanto eu até agora entendi.
Por outro lado, não valerá a pena contestar tudo e todos, para deixar só em pé o actual heliocentrismo, que outros dizem que até já não existe, desde que empurraram o Sol daquele centro onde o Copérnico o colocou, julgando bastar que se fale noutros supostos movimentos para lá da Esfera celeste.
Entretanto, desejo ir dando algumas dicas para se conseguir reconhecer a verdade e a realidade, evitando que se confunda o que é a realidade da aparência. Até que, cada um, possa descobrir onde se esconde o segredo
A prova existe neste espaço dentro da Esfera celeste, não importando o que se possa pensar que exista ou não exista fora dela, mesmo que seja realmente a verdade. E, sobre isso, enquanto não se explicar o que há mais perto eu não poderei convencer-me do que se diga que há para lá do que cada um pode ver, seja a olho nu, com binóculos, telescópios em terra ou astronáuticos.
E, continuo a ver que é muito fácil ver.
Estou certo de que aqueles estudantes, de quem falei há pouco, ficaram absorvidos no pensamento que os levou a confrontar o que lhes disse com aquilo que andarão a aprender. Depende do treino que já tiverem no trabalho de pensar.
E não lhes falei da Eclíptica! Nem do Plano do Equador celeste. Nem do tal Zénite, etc.
Existe, continua a existir, uma fuga para a frente, para o lado… ou uma espécie de peneira que não deixa ver, nem pensar. E é o querer pensar e não saber fazê-lo que impede de compreender
Claro que lhes meteram na cabeça que aquele «passa» do Sol é aparente, mas não que resulte do movimento de rotação da Terra e sim, do que haveria de ser?, pois facilmente, instintivamente sentir que seja, pois claro, desse tal célebre movimento de Translação da Terra à volta do Sol.
Não é possível sustentar que a Terra possa rodar â volta do Sol, se continuarmos a ouvir dizer que o Sol atravessa o Plano do Equador celeste sempre que passa do hemisfério Sul para o hemisfério norte; que segue subindo para chegar ao Trópico de Câncer, isto é, ao Solstício do Verão, para iniciar a sua descida novamente para voltar a atravessar o Plano do Equador celeste, agora do hemisfério norte para o do sul, passando pelo Equinócio do Outono e por aí fora, sem afastar a ideia de que isso se deve a um movimento da Terra à volta do Sol, pois que isso só poderia ser aparente se fosse a Terra a ter de fazer o movimento contrário, o que não acontece, nem pode acontecer.
Ora, não pode ser verdade que, tanto o Eixo da Terra, como o Plano do Equador celeste e o Plano da Eclíptica, etc. se desloque de tal modo, sem que isso tenha de ser reflectido na Esfera celeste, o que não acontece.
Ninguém poderá contestar isto!
Não descobri ainda qualquer simulador que tenha resolvido esta dificuldade.
Por último desejo que esteja sempre disposto a observar o que tiver por bem.
Cumprimentos
João Cândido