Tendo encontrado matéria relativa à dita teoria de Davino e ainda as boas lições do professor Silvestre, achei conveniente ocupar algum tempo, antes de me voltar a referir aos livros de ensino, muito embora, já tenha encontrado antes várias críticas ao que se explica nesses livros de ensino.
Passemos então à
Geografia do 3.º ciclo liceal
Edição 1973-Porto Editora, Lda.
6.º Ano
Chegamos à página 43
Começamos a ler:
“B)Translação
O movimento anual aparente do Sol tanto pode ser explicado considerando este astro a girar em torno da Terra (concepção geocêntrica), como sendo o Sol fixo e a Terra movendo-se em volta dele (concepção heliocêntrica).”
Incrível, parece incrível, mas, recordando o que foi, no passado, a defesa de uma e de outra das concepções, que não terá sido nenhuma brincadeira, ou discussão fácil e não violenta, é de ficarmos horrorizados com esta ciência.
E será que ainda hoje, neste ano 2011, se poderá argumentar que, tanto a concepção geocêntrica como a concepção heliocêntrica, se poderão explicar aceitando que tanto faz?
Ora, acrescentava-se já então: “ Mas a ciência astronómica moderna, baseada nas provas que se seguem, assentou em bases sólidas a concepção heliocêntrica, que fora já, embora muito vagamente, anunciada pelos Gregos.”
Seguidamente, apresenta-se a Fig. 49, parecendo representar o Plano da Eclíptica visto na sua perpendicular, nos mostra, em circunferências, as constelações com as duas perspectivas: o Sol considerado no Centro da circunferência e a Terra como se girasse à sua volta, para vermos de qualquer dos modos as mesmas constelações.
Mas, que provas seguintes eram referidas?
1.ª – A Paralaxe anual de algumas estrelas. (Sublinho: Algumas)
2.ª – Aberração da luz das estrelas; Ou a aberração das fixas, conforme lhe chamou o descobridor
3.ª – Movimento retrógrado aparente dos planetas.
E, mais à frente, lá aparece a referência à órbita da Terra, isto é, as consequências da translação da Terra na visão das estrelas e, finalmente, o aparente movimento retrógrado dos planetas.
O que é estranho é que cada explicação se trata como coisa isolada do restante de tal modo que não se notam as contradições, embora elas ressaltem facilmente a baralhar as mentes.
Neste caso, a contradição, se bem chego a entender, pretende explicar cada uma das teorias contrárias, isto é, uma maravilha.
Esta explicação parte do princípio de que estaríamos a observar as mesmas estrelas em qualquer das realidades:
o movimento anual aparente do Sol, quando se considere a Terra no Centro, só pode ser para explicar a Linha da Eclíptica que o Sol, ao descrever a sua órbita à volta da Terra, parece mover-se na Esfera celeste, isto é; outra, ser o que aconteceria se fosse a Terra, executando a sua suposta órbita, a girar à volta do Sol fixo.
Ora, num e noutro caso deveria colocar-se, no Centro, ora a Terra, ora o Sol e não se apresentar na mesma figura sempre o Sol no Centro.
Para mim, trata-se de uma errada explicação.
Quanto às citadas provas, talvez valha a pena falar mais tarde, depois de passarmos pela chamada teoria do Davino
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Cumprimentos
João Cândido