Olá
Então, lembram-se das primeiras imagens televisivas do sismo do HAIti? Repararam no que se via por aquelas bermas? Pois, em alturas de fugir quanto se puder sem se saber para onde será melhor, não há tempo para acudir aos outros. Mas, o que eu quero chamar a vossa atenção é para o lixo que se amontou e para aquelas vigas, aquelas paredes e aquelas placas. Pois, sim, eu também andei a estudar construção civil, não fosse eu neto e sobrinho de pedreiros e filho de um carpinteiro, que nunca me custearam o canudo. Portanto, nunca cheguei a engenheiro. Mas, fiquem sabendo o seguinte:
Um dia, tive de ir a Oeiras. Fui de camioneta e no regresso apanhei o comboio para o Caes do Sodré. Quando aqui cheguei, fiquei muito admirado por ver que haviam substituido a cobertura de ferro por outra de betão. Oh!. procurei por todo o lado observar aquela obra tão inovadora. Subi ali, desci acolá, medi por baixo e por cima; fiz os meus cálculos mentais e estava eu junto à porta de entrada, quando chegou um comboio. Aguardei a saida, tendo observado a trepidação e a azáfama dos passageiros e lá vinha um colega. Chegado ao pé de mim, logo lhe disse, Aljustrel tenho estado a admirar esta obra. Ela desatou a elogiar a competência dos engenheiros por aquela excelente obra de novas concepções, etc, etc.... Pois, Aljustrel, já fiz o meu juizo, e sabes o que que te digo?

Pois, vamos daqui embora, porque isto está para cair! Estás maluco! Isso mesmo, é por isso que não posso espalhar o boato, avisar ninguém, para não ser preso, tanto mais que pode acontecer que nada do que prevejo venha a acontecer. Mas, vamos que se faz tarde...
Exactamente, eu estava alarmado, nem quiz mais pensar no assunto.
Dias depois, logo de manhã, o telefone tocou. Era o Aljustrel alarmado a dizer-me qie o Caes do Sodré tinha caído e eu, incrédulo, a mandá-lo calar-se e ele a teimar que ouvisse o rádio que estava a dar a notícia. Pois, foi. Aquilo caiu mesmo esborrachando até aqui um meu vizinho de Queluz. Claro, não estou a dizer que a tralha aqui chegou, ele é que teve o azar de ir a passar por baixo daquela obra prima.
Agora, pensem bem, naquela tralha da capital do Haiti! Deixou-me a cismar, mais este sismo...
Belas construções deve ter aquele e outros paises. Aliás, como eu tenho já visto, infelizmente.
Não, não pensem nisso. Tenho família ali, a viver, para os lados do Socorro. Nem me quero lembrar do estado em que se encontra esta cidade de Lisboa antiga e dos riscos que correm os que se deleitam a visitá-la... Dizem, os sábios que há por lá umas falhas, etc. Já ouvi uma certa verborreia de quem sabe muito de socorros, mas, só aconselho cuidado, muito cuidado... com sítios perigosos no caso de sismos, e até sem eles!´Tudo isto é triste, tudo isto é triste, por causa dos trastes que por todo o lado há.
Bem sei, a falta de dinheiro, para isto e para aquilo, é grande. Pois, mas agora ele corre, corre e muito se junta, mas não vai chegar onde é preciso.
Mas, há mais. Que pensar, pensar, sobre a organização dos socorros postos a funcionar? Só a parte que os nossos jornalistas puderam observar, claro.
Poderemos fazer uma ideia, para pormos, por cá, as barbas de molho.
Boa sorte!
João Cândido