Hoje assisti a 2 comportamentos no mínimo curiosos. Não vou perder tempo a comentá-los. Deixo à vossa meditação:
1. Precisei de ir a um sítio onde o estacionamento é quase todo pago. Os lugares não pagos são raros. No local onde eu precisava de parar havia 4 lugares. Se os condutores tiverem boa vontade, até se pode dar um jeitinho para se meterem 5 ou 6 carros. Eu fui o primeiro a chegar e encostei o máximo à frente para deixar o máximo de espaço aos outros. Saí do carro e vi que encostei demais pois estava a pisar um bocadinho da lista limite da passadeira dos peões. Arriscava-me a aparecer um polícia e a ter de pagar uma multa. Aqui em Portalegre, se dermos um peido, temos a polícia à perna, com uma lupa, a pedir-nos a documentação toda do carro e a ver onde é que nos podem aliviar no peso da carteira. Mas como ia demorar muito pouco tempo, resolvi arriscar e deixar o máximo de espaço para os outros condutores que iriam aparecer nos próximos minutos. Ainda nem tinha fechado a porta do carro, aparece uma jovem em estilo fitipaldi, que estacionou ao comprido (o estacionamento é em espinha) e ocupou todo o espaço ainda disponível. Senti-me a pessoa mais estúpida e burra do mundo por estar a pensar em ajudar o próximo.
2. Fui ao Centro Comercial Modelo em Portalegre. Estava no carro e vejo um senhor dos seus 40 anos a chegar com vários sacos, dependurados do braço, ao carro. Um cão seguia-o. É um daqueles cães que, nota-e, não tem casa. Anda por ali e vai-se desenrascando como pode. O pêlo estava a precisar de uma boa lavagem e de uma escovadela. Precisava de um dono que gostasse dele. Não estava muito magro mas notava-se que não andava de barriga cheia muitas vezes. Era bonito, mesmo assim. O senhor abriu o carro com o comando, pousou os sacos, tirou lá de dentro uma lata de comida para cão, abriu-a e deu-lha. Duvido que fosse a primeira vez que aquilo acontecia. Deu-me a impressão que o cão já sabia ao que vinha. Também há boa gente no mundo, não há?